QUANDO O TWITTER NÃO EXISTIA
Estava mexendo em coisas velhas e encontrei as Gazetas Esportivas de 1994. Estava lá todo o material da cobertura da Copa do Mundo. Os repórteres que cobriam o Brasil eram Fernando Galvão de França, hoje embaixador do Brasil em Roma, João Henrique Pugliesei, dono de uma repetidora da Globo em Manágua e eu, repórter do Agora.
Fiquei impressionado com o bom trabalho que fizemos. Algumas matérias exclusivas:
1 ) Pingpong de duas páginas com Romário
2) Entrevista com Dunga, altam
ente quesitonativa, quase agressiva, pedido do editor Vital Battaglia. Dunga respondeu tudo, com muita elegância e ironia.
ente quesitonativa, quase agressiva, pedido do editor Vital Battaglia. Dunga respondeu tudo, com muita elegância e ironia.3) Parreira conta tudo, em duas páginas
4) Fomos os primeiros a entrar nos treinos de Camarões e Rússia.
As lembranças me fizeram pensar novamente, com raiva, na incompetência das pessoas que dirigiram a Fundação Cásper Líbero, não souberam se adaptar aos novos tempos e permitriam que um jornal tradicional como aquele morresse.
E percebi que o trabalho só pôde ser bem feito assim porque ainda não hava, pelo menos como hoje, a figura do assessor de imprensa.
De imprensa?
Só ajudam no periférico e fazem de tudo para atrapalhar o principal. Um horror. Um atentado ao jornalismo. Mas é assim mesmo. O tempo agora é de twitter. Antes, era do jornalismo.


Sou jornalista. Trabalho no AGORA. Já passei pelo Jornal da Tarde - sete anos - Diário Popular (obrigado Paulinho,) A Gazeta Esportiva (que saudades) e Lance! (paga, Walter, paga!!!). Cobri três Copas e gosto também de Política.

10 Comentários:
O primeiro jornal que comprei na vida foi a Gazeta Esportiva, em 1989. Já era um jornal que, visualmente, estava parado no tempo, e isso não mudou nos anos seguintes, a não ser pela implantação da cor em pouquíssimas páginas e com péssima qualidade de impressão. 1994 especificamente foi o último ano em que comprei a Gazeta com alguma regularidade. Foi também o ano em que achei ridícula a atitude do jornal de (provavelmente, porque eles nunca divulgaram o motivo) exigir dinheiro dos patrocinadores dos clubes para que suas marcas não fossem apagadas das fotos, com Liquid Paper (!), em um desrespeito com seus leitores que gostavam das fotografias apesar da impressão horrível. Aparentemente, apenas a Parmalat pagava, porque era a única marca de time grande que aparecia. Em termos de conteúdo, o jornal realmente não perdia para nenhum outro nessa mesma época (que é a que posso avaliar), mesmo para o JT, que era o que eu mais gostava de ler às segundas. O problema é que não dá para se levar em conta apenas o conteúdo, e brasileiro em geral liga mais para a aparência que para o conteúdo, e na aparência a Gazeta tomava uma lavada até do Diário Popular, que ainda não tinha cores e era diagramado da mesma maneira que o Estado de vinte anos antes. Quando chegou o Lance, a Gazeta tinha de ter se mexido. Não o fez. Pouco antes de morrer (concordo com você: virar site É morrer), em 2001, a Gazeta ainda era muito parecida visualmente com aquele primeiro jornal que eu comprei em junho de 1989. Já o Lance era todo colorido, tinha uma cobertura ágil, embora longe de perfeita, e deixava a desejar no aprofundamento aos assuntos, com textos sempre curtos demais e notas de duas ou três frases que às vezes não tinham razão de ser (precursoras do Twitter? rs). Isso sem falar que o Lance era muito mais fácil de se ler no ônibus ou no metrô. Era isso que o público parecia querer. Ainda acho que há no mercado espaço para um outro jornal esportivo. Um moderno, algo que um eventual relançamento do nome A Gazeta Esportiva nunca conseguiria. É uma pena.
O pior que mesmo virando site, a Gazeta coleciona micos que nem estagiários cometem. Falhas na data de ocorrências de fatos, e uma salada de frutas com times não paulistas que queimam seu trabalho. A Gazeta foi o primeiro jornal que eu comprei. Mas eles pararam no tempo
Caro Menon...
Solidarizo-me com seu comentário. A Gazeta Esportiva foi o primeiro jornal que assinei, com orgulho, quando tinha 16 anos... "Comia" as edições, ao ler com tanto desejo suas páginas logo que chegavam em minha casa...
Saudades daquele jornal!
abração
Salgueiro
Bjo, querido!
Eu,que trabalhei no Lance (entrei junto com o Menon na primeira turma, quando só tinha 2 mesas de praia e um telefone, cujo numero era, antes, de jogo do bicho)) e cheguei a ter uma coluna de xadrez na Gazeta, em 99 (sabia disso, Menon?) lamento pelo fechamento, mas concordo 100% com o Alexandre.
O Lance nesse ponto é mais fiel: nasceu ruim, continua ruim e morrerá ruim.
Rubão
Rubão,
nota dez seu comentário sobre o Lance!.... É muito ruim, apesar de ter gente legal escrevendo lá.
Saudade de quando o time da gente ganhava e íamos à banca comprar A Gazeta Esportiva, o Popular da Tarde e o JT para ler a Edição de Esportes, do tempo do Helena.
vc está fofo na foto, mas hoje é bem mais lindo.
A Gazeta era fantástica, uma pena o que algumas pessoas fizeram com esse patrimônio. Tenho muito orgulho de dizer que trabalhei em A Gazeta Esportiva.
Uma informação que pode acrescentar algo. Em 2000 havia um belíssimo projeto de reposicionamento da Gazeta, formato tablóide europeu, colorido, distribuição de uma edição quente num raio de 150km da Capital paulista e franquias nas grandes capitais do País. Era gol na certa, porque havia uma equipe muito boa no jornal naquele momento e outros bons profissionais topariam participar. Mas politicamente alguém na Fundação abortou e deu no que deu.
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