O BIFE DA DETE
Saí de casa em busca de um
bife acebolado. Na verdade, também buscava um pouco do passado, do bife da minha mãe, que era ótimo, mas não era como o da Dete.
Dete era como o Vavá chamava a Bernadete. Tio Percival e Tia Bernadete, para ser mais exato. E formal. Na volta da piscina, a gente parava para almoçar ali.
E o bife não era só um bife. Era o ponto final de um festival de sabores e de uma preparação toda especial. Ele saía do fogão para o prato, onde já estavam o feijão, o arroz, o alface com muito vinagre e o tomate. Ela chegava com a frigideira ainda fumegando e fazendo barulho e fazia o bife, cheio de cebola, cair no meu prato.
Eu ia para a piscina do clube já pensando na hora do almoço. Ficava lá, largado como um jacaré no sol e pensando no bife da Dete.
Não achei um igual, é lógico. Podia até ser muito melhor do que o outro, mas nunca superaria o que está guardado na minha memória. Era bom. Troquei batata frita por tomate e acrescentei farofa no feijão. Formei uma pasta que recebeu o toque final. Um ovo mole.
Trinta e cinco na cabeça. Mas fui trabalhar bem feliz da vida. E pensando que, se não fosse pedir muito, seria tão bom se a Cecília soubesse fazer o bife da Dete.



Sou jornalista. Trabalho no AGORA. Já passei pelo Jornal da Tarde - sete anos - Diário Popular (obrigado Paulinho,) A Gazeta Esportiva (que saudades) e Lance! (paga, Walter, paga!!!). Cobri três Copas e gosto também de Política.

4 Comentários:
Querido primo, como poderemos esquecer aquele aroma e sabores que penetram na nossa alma!! Uma hora qualquer vou lhe responder a altura e falar sobre a minha saudade da culinária da minha tia amada Miriam. bjs.
Eu me lembro muito bem e como eu comia, vc só ia lá nas férias mais eu ia o ano todo, acordava as sete horas ia para a picina jogava basquete a manhã toda , almoçava na casa da tia Dete e voltava para a picina para jogar basquete tarde inteira de novo e depois ia correndo passar de ano no Casabranquense.
Grande tia Dete!!! Se fossem só seus bifes a nos matar de saudade estava bom demais! Esses bifes vinham junto com um sorriso gostoso que mostrava a satisfação em nos ter ali.
Lindo texto!
Lisaugusto, quem é essa tal de Cecilia, hein?
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